Panorama

Cláudio Castro ganha mais de 500 mil seguidores após megaoperação com 121 mortos no Rio

Crescimento explosivo nas redes sociais ocorre em meio à repercussão da ação mais letal da história do estado; ONU cobra mudanças na política de segurança pública brasileira

Foto: Reprodução/Twitter

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ganhou mais de 500 mil novos seguidores em três dias, após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, que deixou 121 mortos, entre eles quatro policiais. O salto ocorreu em meio à ampla repercussão nacional e internacional do episódio, classificado pelo governo como um “sucesso” e por entidades de direitos humanos como um massacre sem precedentes.

De acordo com levantamento feito nesta sexta-feira (31), Castro tinha 464 mil seguidores no Instagram na segunda-feira (27). No dia seguinte, quando a operação foi deflagrada, o número subiu para 478 mil. Já na quarta-feira (29), com as primeiras imagens de dezenas de corpos sendo retirados das comunidades, o perfil do governador chegou a 746 mil seguidores. Nesta quinta-feira (30), o total ultrapassou 1 milhão, representando um crescimento acima de 100% em menos de 72 horas.

A operação, batizada de “Contenção”, mobilizou as polícias Civil e Militar com o objetivo de cumprir 180 mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). Segundo o governo, a ação pretendia conter o avanço da facção e prender lideranças interestaduais.

Durante coletiva de imprensa, Cláudio Castro classificou o resultado como “um sucesso”, destacando a integração entre as forças policiais e o “golpe contra o crime organizado”. Já a Defensoria Pública da União (DPU) apontou indícios de ilegalidades e violações de direitos humanos durante a operação.

De acordo com dados do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF), desde que Castro assumiu o governo, em agosto de 2020, o Rio registrou 1.846 mortes em operações policiais — um total de 8 mil ações no período. Das 11 operações mais letais desde 2007, seis ocorreram sob sua gestão.

A repercussão internacional também aumentou a pressão sobre o estado. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta quarta-feira (29) “uma reforma abrangente e eficaz dos métodos de policiamento no Brasil”, afirmando que o país precisa “romper o ciclo de brutalidade extrema” e garantir o cumprimento de padrões internacionais sobre o uso da força.

Nas redes sociais, o nome de Castro se tornou um dos assuntos mais comentados, refletindo a polarização em torno da operação. Enquanto apoiadores exaltam o governador como “duro contra o crime”, críticos acusam o governo de promover necropolítica e execuções extrajudiciais.

O crescimento de seguidores, segundo analistas, reforça a consolidação de Castro como figura política de alcance nacional, especialmente entre eleitores conservadores, mas também intensifica o escrutínio internacional sobre sua gestão e os métodos de segurança pública no Rio.

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