Governador garante que todos os óbitos, exceto de agentes das forças de segurança, eram envolvidos com o crime organizado

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em entrevista concedida à imprensa na manhã desta quarta-feira (29), afirmou que a ação das polícias Civil e Militar foram um ”sucesso”, e que “de vítimas lá só tivemos os políciais”. A megaoperação, ao todo, levou a 132 mortos, entre eles quatro policiais, sendo eles as únicas vítimas, de acordo com o político fluminense. A declaração foi cedida após reunião com a cúpula de segurança do Rio na manhã desta quarta-feira (29), no Palácio Guanabara.
Durante sua fala para aos jornalistas, pelo menos 74 corpos levados por moradores das comunidades para a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, foram removidos do local e encaminhos para o Instituto Médico Legal (IML) para serem devidamente identificados e reconhecidos pelos parentes.
Na reunião, o governador do Rio de Janeiro esteve, por videochamada, com os governadores de São Paulo (Tarcísio de Freitas-Republicanos), Minas Gerais (Romeu Zema-Novo), Goiás (Ronaldo Caiado-União Brasil), Santa Catarina (Jorginho Mello-PL), e de Mato Grosso (Mauro Mendes-União Brasil). Castro falou sobre a conversa e adotou tom positivo quanto a recepção dos outros representantes estaduais.
“Fiquei feliz em ver que todos eles perceberem o impacto de algumas ações ações judiciais tiveram o impacto no crescimento dessas organizações criminosas no Rio. Os governadores percebem isso claramente. Vejo como o início de um novo momento em que poderemos livrar os fluminenses, mas também os brasileiros, da criminalidade. Nós não furtaremos de fazer a nossa parte, mostramos um duro golpe na criminalidade”, afirmou o governador.
Mais cedo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou em entrevista ao OGlobo que pretende ir ao Rio para discutir formas de enfrentamento ao crime organizado no estado e oferecer apoio de suas forças estaduais nas operações. No ano passado, este mesmo grupo de governadores se posicionaram de maneira contrária à PEC da Segurança, que foi apresentada pelo governo federal. Castro, no entanto, no dia de hoje afirmou que a atual reunião não teve a política como pauta principal:
“A agenda aqui não é política, não foi tratado sobre a PEC, ninguém falou de PEC. O assunto foi 100% do Rio de Janeiro. E o problema das lideranças criminosas deles (de outras unidades da federação), que estão aqui no Estado. Não teve essa conversa.”
O governador do Rio de Janeiro, por fim, também endereçou um recado ao governo federal, que na noite de ontem, a princípio, vetou enviar suas forças militares para o estado por meio de uma GLO (Garantia de Lei e Ordem). Interlocutadores de Brasília entenderam que a operação realizada nesta terça-feira (28) tinha cunho político.
“Eu queria deixar uma fala muito clara. O governador desse estado e nenhuma secretaria vai ficar respondendo qualquer ministro ou outro agente que queira transformar esse momento em uma batalha política. Quem quiser somar, estará muito bem-vindo. Aos outros, o nosso único recado é suma. Ou soma, ou suma. Não entraremos nessa armadilha de ficar querendo polarizar ou politizar uma das maiores ações que já fizemos. Esperamos um foco no Rio de Janeiro, de integração e de financiamento, já que há tanta preocupação, espero que eles nos ajudem sim”
Na terça-feira (28), um balanço preliminar contou 64 mortos, entre eles quatro policiais civis e militares. Já nesta quarta, Castro afirmou que o número oficial é de 58 mortos, sendo 54 criminosos, sem explicar a divergência entre os dois relatórios, mas explicando que o número pode aumentar após as autópsias no IML.
Segundo o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, os corpos levados pelos moradores não constam nas estatísticas oficiais. Testemunhas relataram que as vítimas estavam em uma área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais intensos entre forças de segurança e traficantes.
O Instituto Médico Legal (IML) iniciou os trabalhos de identificação e reconhecimento das vítimas. A Polícia Civil informou que será feita perícia para determinar se essas mortes têm relação direta com a operação.
Por Gabriel Caetano


