Governador concorda com avaliação da PM, afirma ter recebido negativas da União e coloca o Rio em “estado de alerta” após megaoperação contra o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão

O governador Cláudio Castro (PL) afirmou nesta terça-feira que o combate ao tráfico de drogas no Rio de Janeiro “excede a capacidade” do poder estadual. Ao endossar a avaliação da porta-voz da Polícia Militar, ele cobrou apoio do governo federal, sobretudo o empréstimo de blindados das Forças Armadas, mas disse ter recebido reiteradas negativas. As declarações ocorreram no contexto de uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, que já deixou suspeitos e policiais mortos e resultou em dezenas de prisões e apreensão de fuzis.
Em discurso duro, Cláudio Castro comparou o cenário da segurança pública fluminense a um quadro de excepcionalidade constitucional e disse que o estado não consegue, sozinho, enfrentar a estrutura bélica das facções.
“Essa operação de hoje tem muito pouco a ver com a Segurança Pública. É uma operação de estado de Defesa. É uma guerra que está passando os limites de onde o estado deve estar sozinho defendendo. Para uma guerra dessa, que nada tem a ver com a segurança urbana, deveríamos ter um apoio maior e, de até, das Forças Armadas. É uma luta que já extrapolou toda a ideia de Segurança Pública e que está na Constituição quando você tem essa quantidade de armas que vem do tráfico internacional. Não é só responsabilidade do estado. O Rio está sozinho nessa guerra”, disse o governador.
Castro afirmou ter solicitado três vezes o apoio de blindados da Marinha e do Exército, sem sucesso, e cobrou maior integração com as forças federais. Segundo ele, houve impasse envolvendo a necessidade de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para operadores federais dos veículos.
“Já entendemos haver uma política de não ceder. Disseram que precisa de uma Garantia de Lei e Ordem (GLO). Depois, disseram que poderiam emprestar e voltaram atrás, porque o servidor que opera o veículo é federal e deveria ter a GLO, enquanto o presidente é contra a GLO. Entendemos que a realidade é essa e não vamos ficar chorando pelos cantos”, afirmou Castro.
O governador também disse que o estado está em “atenção e alerta” para possíveis retaliações de criminosos em resposta à megaoperação.
“Estamos em estado de atenção e alerta para possíveis retaliações. A polícia está toda na rua e todos os batalhões estão em prontidão. Temos relatos que eles tentaram fechar a Avenida Brasil e outras vias para tentar desviar (a atenção da operação)”, disse o governador.
A megaoperação
A ação desta terça-feira tem como objetivo cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV) — 30 deles de fora do Rio — escondidos nos complexos da Penha e do Alemão, apontados pela investigação como bases do projeto de expansão territorial da facção. Até o fim da manhã, 56 pessoas haviam sido presas e 31 fuzis apreendidos. A ofensiva mobiliza 2,5 mil policiais e conta com a participação de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).
Segundo o governo, embora não tenha sido solicitado apoio federal específico para a operação desta terça, o estado busca ampliar a cooperação com a União para enfrentar a escalada do poder de fogo das facções e mitigar riscos de novos ataques e bloqueios a vias estratégicas como a Avenida Brasil.


