Panorama

Lula minimiza desconfiança de Trump e defende continuidade nas negociações com os EUA

Após encontro na Malásia, presidente afirmou que é “óbvio” que impasse comercial não seria resolvido em uma única conversa e prometeu enviar equipe ministerial para dar sequência ao diálogo

Lula se reúne com Trump na Malásia
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Kuala Lumpur, que é “óbvio” que o impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos não poderia ser resolvido em apenas uma reunião. A declaração foi uma resposta às dúvidas manifestadas pelo presidente americano Donald Trump sobre a possibilidade de um acordo entre os dois países, após o encontro entre ambos no domingo, na Malásia.

Em entrevista antes de participar de um jantar de gala da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Lula disse que o encontro com Trump estabeleceu “regras de negociação”, e que pretende manter contato direto com o norte-americano sempre que houver obstáculos.

“Primeiro eu interpreto como óbvio. Não era possível, nem vocês acreditavam, que numa única conversa a gente pudesse resolver os problemas. O que nós estabelecemos é uma regra de negociação, e, toda vez que tiver uma dificuldade, eu vou conversar pessoalmente com ele. Ele tem o meu telefone, eu tenho o telefone dele”, afirmou Lula.

Os presidentes se reuniram pela primeira vez para discutir o tarifaço de 50% imposto pelos EUA em julho sobre produtos brasileiros exportados. Segundo o governo brasileiro, o encontro foi positivo e marcou o início de um processo de entendimento.

No entanto, ao deixar a Malásia rumo ao Japão, Trump adotou um tom mais cauteloso:

“Não sei se algo vai acontecer, vamos ver. Eles gostariam de fechar um acordo. Vamos ver, agora eles estão pagando, acho que 50% de tarifa. Mas tivemos uma ótima reunião. Quero desejar feliz aniversário ao presidente, ok? Hoje é o aniversário dele. Ele é um cara muito vigoroso, muito impressionante.”

Lula confirmou que enviará uma delegação de alto nível para dar continuidade às negociações, composta pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio), que também é o vice-presidente.

Além da suspensão das tarifas, o presidente afirmou que buscará reverter as sanções aplicadas a autoridades brasileiras, entre elas o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Segundo Lula, as punições e sobretaxas impostas pelos EUA foram baseadas em “mentiras”. O presidente afirmou ter entregue pessoalmente a Trump um documento em inglês com dados e argumentos que refutam as justificativas americanas.

“Eu entreguei para ele um documento das coisas que eu queria conversar, portanto não foram apenas palavras. Ele sabe o que o Brasil quer, e eu acho que nós vamos fazer um bom acordo — disse Lula, que compareceu ao jantar de gala vestindo uma camisa tradicional malaia, presente do governo local.”

 

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