A Polícia Civil prendeu sete criminosos e recuperou um carregamento de laticínios durante a Operação Torniquete, deflagrada nesta sexta-feira (24) na comunidade Para Pedro, em Irajá, Zona Norte do Rio. A ação tem como alvo um grupo ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP), especializado em roubos de cargas nas proximidades da Ceasa-RJ, em Irajá.

A operação, conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-CAP) com apoio da 27ª DP (Vicente de Carvalho), cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão. Na chegada à comunidade, houve troca de tiros, mas ninguém ficou ferido.
Entre os oito alvos identificados pela investigação está Alex Pereira Marcelino, o Gaguinho, apontado como gerente dos roubos. Ele ainda não foi localizado. Um dos presos, Thiago Honorato, de 23 anos, era responsável por rendir motoristas e usar bloqueadores de sinal — os chamados capetinhas — para impedir rastreamento dos veículos.
“É um bandido perigoso. Rendia os motoristas com arma de fogo, levava-os para as comunidades e os aterrorizava”, afirmou o delegado Fábio Asty, titular da DRFC.
Durante as buscas, os agentes encontraram uma carga de leite condensado e derivados, roubada na última segunda-feira (20), armazenada em um depósito clandestino. Também foram apreendidos um bloqueador de sinal e um radiotransmissor, levados para a Cidade da Polícia, no Jacaré.
Segundo as investigações, as mercadorias roubadas eram revendidas em mercados populares clandestinos e comércios dentro das comunidades, dificultando a fiscalização. A comunidade Para Pedro funcionava como base estratégica para descarga e armazenamento de produtos, com apoio de receptadores locais.
Mesmo preso, Anderson da Silva Verdan, o Bamba, ainda exerce liderança na região, autorizando as ações criminosas. De acordo com o delegado, o dinheiro obtido com os roubos financia a compra de armas e drogas, além de sustentar a “caixinha” do TCP, usada para ajudar integrantes presos e suas famílias.
“O dinheiro do roubo de cargas serve para ampliar o poderio financeiro das facções, alimentar novas guerras e sustentar os faccionados internos no sistema penitenciário”, explicou Asty.
A investigação também revelou que o grupo aliciava caminhoneiros para repassar informações privilegiadas sobre rotas e tipos de carga. Motoristas que se recusavam a participar eram ameaçados e obrigados a colaborar sob coação.
Nos últimos três meses, segundo a Polícia Civil, houve redução de 50% nos roubos de cargas em relação ao mesmo período de 2024. Outubro de 2025 já é considerado o mês com menor número de ocorrências desde 2019, resultado de operações contínuas como a Torniquete.



