Chamas voltaram a atingir o imóvel na Via Binário do Porto, que abrigava alegorias e fantasias de quatro agremiações; Jacarezinho e Vigário Geral foram as mais afetadas

Um novo foco de incêndio atingiu, na manhã desta quinta-feira (23), os barracões das escolas de samba da Série Ouro, na Via Binário do Porto, no Santo Cristo, Zona Portuária do Rio. O imóvel, que já havia sido consumido pelas chamas na tarde anterior, abrigava materiais de quatro agremiações.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o quartel central foi acionado às 8h10 para conter as novas chamas. Equipes do jornal O Dia estiveram no local e registraram o fogo reacendendo dentro dos barracões. O espaço havia sido tomado pelas chamas na tarde de quarta-feira (22), destruindo parte das alegorias e fantasias destinadas ao Carnaval de 2026.
Segundo a LigaRJ, responsável pela Série Ouro, a entidade acompanha o caso e presta suporte às escolas atingidas. O imóvel abrigava materiais das agremiações Unidos do Jacarezinho, Acadêmicos de Vigário Geral, Inocentes de Belford Roxo e Unidos do Porto da Pedra. As duas primeiras foram as mais afetadas — os galpões foram completamente destruídos.
Em nota, a Unidos do Jacarezinho lamentou as perdas e destacou que todo o projeto de Carnaval 2026 foi perdido.
“Todo o projeto já iniciado de alegorias, adereços e fantasias foi destruído. Agradecemos o apoio das agremiações coirmãs e da LigaRJ, que têm nos dado suporte desde o início do ocorrido”, informou a escola.
A Acadêmicos de Vigário Geral confirmou que também perdeu integralmente seu material.
“Infelizmente, não restou qualquer estrutura ou alegoria. O galpão foi completamente destruído”, declarou a agremiação.
Nas redes sociais, carnavalescos das duas escolas se manifestaram sobre a tragédia. Bruno Oliveira, da Unidos do Jacarezinho, escreveu:
“Do fogo renasce a arte. Da dor, a força de seguir criando. O carnaval é maior que qualquer tragédia.”
Já os carnavalescos Caio Cidrini e Alex Carvalho Barreiros, da Vigário Geral, tranquilizaram os fãs:
“Ainda não temos a dimensão do que foi perdido, mas estamos bem e vamos seguir firmes. O importante agora é reconstruir.”
A Defesa Civil Municipal informou que interditou os galpões por precaução. Segundo nota, técnicos constataram a presença de materiais inflamáveis e danos parciais nas paredes, mas sem risco estrutural. Um laudo foi encaminhado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano para as medidas cabíveis.
O imóvel da Via Binário já tem histórico de uso por diferentes agremiações desde que as escolas do Grupo Especial migraram para a Cidade do Samba, em 2005. Antes de abrigar as escolas da Série Ouro, o local já havia sido ocupado por Mangueira, Rocinha e Caprichosos de Pilares.
Incêndios recorrentes
Casos semelhantes têm se repetido ao longo dos anos. Em fevereiro deste ano, um incêndio na fábrica de fantasias Maximus Confecções, em Ramos, destruiu o material de Império Serrano, Unidos da Ponte e Unidos de Bangu, impedindo que as escolas fossem julgadas no desfile.
O episódio mais grave ocorreu em 2011, quando um incêndio de grandes proporções atingiu a Cidade do Samba, destruindo barracões de Portela, Grande Rio, União da Ilha e da Liesa.
A Polícia Civil ainda não informou as causas do novo incêndio. O caso será investigado.


