Mostra gratuita “Pode Sonhar, em alto e bom som” reúne dez obras criadas por 40 artistas de periferias e ocupa espaços culturais em Santa Teresa e na Pavuna

A partir deste sábado (18), o Parque Glória Maria, em Santa Teresa, recebe a exposição sonora imersiva “Pode Sonhar, em alto e bom som”, resultado de seis meses de criação coletiva com 40 jovens artistas de favelas e periferias do Rio de Janeiro. A mostra, gratuita, apresenta dez obras que exploram temas como infância, amor, luto, gênero e vida artística, propondo uma escuta individual e reflexiva.
Os participantes são MCs, dançarinos, atores, cantores, artistas visuais, músicos e poetas — todos bolsistas do laboratório criativo que deu origem à exposição. A iniciativa é uma realização da Avenida Brasil – Instituto de Criatividade Social, e busca ampliar o acesso à arte e estimular a produção cultural nas comunidades cariocas.
As obras foram criadas em territórios como Cesarão, Cidade de Deus, Favela do Rodo, Complexo do Alemão, Favelinha de São Conrado e Pavão-Pavãozinho, reunindo vozes e experiências que se transformaram em peças sonoras temáticas. A direção artística e curadoria é de Valquíria Oliveira, que explica o conceito da mostra.
“Pode Sonhar, em alto e bom som’ é resultado de um processo que durou seis meses com jovens artistas de favelas e periferias do Rio. Condensamos em dez peças sonoras narrativas sobre desejos, luto, vida artística, amores, infância e transformação pessoal, propondo uma escuta individual e reflexiva”, afirma.
A exposição fica em cartaz no Parque Glória Maria até 2 de novembro e, em seguida, segue para a Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, entre 8 e 25 de novembro, reforçando a ocupação de espaços culturais por novos criadores da cidade.
Para Valquíria, o projeto cria um ambiente plural que amplia o campo da escuta e da imaginação.
“Propomos um ambiente artístico que dialoga com o universo dos sonhos desses jovens artistas, explorando dimensões oníricas, projetivas e sociais de suas trajetórias de vida”, explica.
Adepta de uma metodologia centrada nas pessoas, a diretora destaca que as obras abordam temas como transformação, espiritualidade, fantasia, amor, luto e cidade, e foram pensadas para serem ouvidas individualmente, por meio de fones.
A nova mostra dá continuidade ao trabalho iniciado em 2023, com o projeto “Mapa Sonoro”, que convidou o público a ouvir os sonhos de 12 jovens artistas. A primeira edição ocupou três espaços culturais e recebeu mais de 700 visitantes, consolidando-se como uma experiência sensível e inovadora.
Em sua segunda edição, “Pode Sonhar” reafirma o papel da arte como instrumento de emancipação e expressão social, destacando as vozes e histórias de uma geração que transforma a escuta em potência criativa.



