Panorama

Base do governo vence disputa e barra convocação de Frei Chico na CPI do INSS

Rejeição do requerimento marca virada estratégica da bancada governista, que retoma controle político do colegiado após série de derrotas iniciais

CPI do INSS no Senado Federal
Fotografia: Brenno Carvalho / Agência O Globo.

A base aliada do governo federal conseguiu uma importante vitória na CPI do INSS nesta semana ao rejeitar o requerimento que pedia o depoimento de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A articulação, liderada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), consolidou o retorno da influência governista no colegiado após um início de trabalhos marcado por derrotas e perda de espaços estratégicos.

A negativa ao pedido de convocação de Frei Chico foi interpretada como um sinal claro da reorganização da base do governo dentro da CPI. Após perder o comando da presidência e da relatoria no início de setembro, devido a ausências de aliados durante a sessão de instalação, o Planalto conseguiu reverter o cenário com uma mobilização coordenada que garantiu quórum nas votações e alinhamento nas decisões.

Segundo apuração, o gabinete de Paulo Pimenta tem atuado de forma direta nos bastidores, entrando em contato com parlamentares às segundas e quintas-feiras — dias de reunião da comissão — para garantir presença e impedir que suplentes ligados à oposição assumam o direito de voto. Um grupo de WhatsApp reúne os parlamentares governistas, que recebem orientações de voto e resumos das atividades dos depoentes.

Entre as recentes vitórias da base estão a rejeição da quebra de sigilo da publicitária Danielle Miranda Fonteles — que recebeu R$ 5 milhões do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS” — e a aprovação da quebra de sigilo do advogado Eli Cohen, responsável pelas primeiras denúncias de fraudes no órgão. Segundo membros da CPI, a investigação sobre Cohen pode expor irregularidades cometidas durante o governo Jair Bolsonaro.

Na semana anterior, os votos governistas também impediram a quebra de sigilo de Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aliado importante do Executivo.

Em defesa da estratégia da base, Paulo Pimenta negou que as manobras tenham o objetivo de proteger aliados do governo.

“Não queremos blindar ninguém. Mas temos como diretriz rejeitar requerimentos que não tenham vínculo direto com o escopo da CPI. Frei Chico, por exemplo, não era investigado. Não podemos transformar este colegiado em palanque político, afirmou o deputado.”

Além da articulação política, a bancada governista conta com uma “tropa de choque” formada por deputados e senadores que têm assumido protagonismo nos debates e embates com a oposição. Entre os nomes estão Rogério Correa (PT-MG), Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), Orlando Silva (PCdoB-BA), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Eliziane Gama (PSD-MA), Leila Barros (PDT-DF) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), que têm se destacado na leitura de documentos e na sustentação técnica das argumentações da base.

A estratégia de contenção tem sido acompanhada de acordos pontuais com a oposição, como o firmado nesta quinta-feira (16), que resultou na retirada dos requerimentos de quebra de sigilo fiscal e telemático do ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi, que incluíam acesso ao e-mail institucional do INSS e ao celular pessoal do ex-titular da pasta.

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