Astro de Hollywood é o protagonista do filme dirigido por Paul Thomas Anderson

Em um ano de poucas novidades interessantes no gênero de ação nos cinemas, Uma Batalha Após A Outra, de Paul Thomas Anderson, parece chegar para salvar o ano. O filme, que estreou no dia 25 de setembro, segue em cartaz nos cinemas e conta com um elenco de peso com nomes como Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro. A Warner, produtora do filme, criou um site, em português, com todas as sessões nos cinemas para assistir ao filme.
A crítica, em geral, avalia o filme de forma extremamente positiva. Apesar de não ser perfeito, o longa disputa entre os melhores do ano, e deve disputar indicações ao Oscar. Entre os destaques estão as atuações de DiCaprio (Bob) e Sean Penn (Col. Steven J. Lockjaw), que de longe entrega o melhor desempenho, de maneira brilhante. Outros pontos positivos vão para o roteiro eletrizante, a fotografia e a trilha sonora, que de maneira prática, carrega o espectador durante toda a trama.
O filme é baseado, de maneira bem livre, no livro “Vineland”, publicado em 1990 por Thomas Pynchon. Paul Thomas, em 2014 (Vício Inerente) já havia adaptado uma obra do escritor.
Em ‘Uma Batalha Após a Outra’, DiCaprio (Bob) interpreta um ex-revolucionário que precisa enfrentar um inimigo de seu passado, Penn (Steven J. Lockjaw) para salvar sua filha, interpretada por Chase Infiniti (Willa), que corre perigo de vida. No longa, os Estados Unidos são dominados por um governo fascista, e Bob faz parte de um grupo que luta contra este governo.
Depois de anos de uma espécie de aposentadoria, e com suas capacidades prejudicadas por anos de consumo de drogas e álcool, Bob precisa voltar de sua inatividade, registrando cenas incríveis que apenas Leonardo DiCaprio poderia entregar. Do outro lado, Lockjaw busca resolver problemas do passado para ser apto a se juntar a uma sociedade secreta racista que dita os rumos do país.
A narrativa direta e simples ajuda na imersão e na entrega de uma boa experiência. Além disso, a humanização do protagonista, evidenciando seus inúmeros problemas, criam questionamentos durante o filme sobre quem será capaz de resolver a situação principal. Outra questão bem explorada por Thomas foi a criação de um vilão perverso e frio, combinando isso com uma estupidez e arrogância únicas para garantir um personagem onde o espectador continua esperando sua próxima cena até o final do filme.
O principal problema do filme, talvez o único, está no olhar do roteiro com membros de minorias. À medida que a trama avança, torna-se evidente o olhar quase condescendente do roteiro em relação a personagens que representam estes grupos
Isoladamente, algumas decisões de elenco e narrativa parecem positivas, até louváveis. A escolha de uma mulher negra (Taylor) como líder corajosa dos revolucionários, por exemplo, é um gesto que poderia ser celebrado. No conjunto, porém, as escolhas soam artificiais e excessivamente calculadas. É possível interpretar essas opções como uma tentativa de caricatura típica do gênero ou até como uma forma de reparação histórica, afinal, Hollywood tem um longo histórico de retratar esses grupos de maneira estereotipada e vilanesca.
Entretanto, ao pender demais para o outro extremo, o filme transforma suas minorias em figuras idealizadas e irreais — uma abordagem bem-intencionada, mas que também empobrece a narrativa.
Por Gabriel Caetano



