Panorama

Palmeiras vai acionar Flamengo por situação envolvendo a Libra

Leila Pereira mandou recado para BAP, presidente do Flamengo, e afirma que advogados estão atrás de medidas severas contra o Rubro-Negro

Foto: Cesar Greco/Palmeiras

O Palmeiras afirmou que vai acionar o Flamengo na Justiça por conta do bloqueio que o clube carioca obteve, atráves da Justiça do Rio de Janeiro, nos repasses de uma parcela dos direitos de TV do Brasileirão que seria distribuída aos clubes da Libra (ABC, Atlético-MG, Bahia, Bragantino, Brusque, Flamengo, Grêmio, Guarani, Palmeiras, Paysandu, Remo, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo, Vitória, Volta Redonda).

A liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) trava o pagamento de R$ 77 milhões, valor referente a uma porcentagem de aproximadamente 30%, referente aos ganhos com audiência, de acordo com o contrato firmado entre a Libra e o Grupo Globo. A presidente do Palmeiras, no início da semana, já havia sido dura nas críticas à postura do Flamengo e agora promete estender as divergências para os tribunais.

“Se a atual gestão do Flamengo acha que, por meio desta ação na Justiça do Rio, conseguirá mudar o acordo assinado pelo presidente (Rodolfo) Landim, pode tirar o cavalinho da chuva. O Palmeiras não fará qualquer concessão nem reabrirá um assunto que já foi discutido exaustivamente e está encerrado. Nós vamos, sim, buscar na Justiça uma indenização pelo prejuízo que a conduta individualista e predatória do Flamengo está causando ao Palmeiras e aos demais clubes da Libra. Os nossos advogados já estão estudando o caso. Não aceitamos a pressão que o Flamengo está fazendo”, disse Leila.

O Palmeiras entende que a estratégia do Flamengo de “asfixiar financeiramente” os seus parceiros da Libra para “conseguir mais benefícios individuais” é “predatória e torpe”. O clube argumenta que seria um dos beneficiados diretos caso a alteração solicitada pela atual gestão do Flamengo fosse aceita, mas que pensa no crescimento coletivo do futebol brasileiro.

O Flamengo, por outro lado, alega que foi prejudicado com o contrato firmado em 2024 e com vigência até 2029. O compromisso foi assinado por Rodolfo Landim, então presidente do clube. Luiz Eduardo Baptista, seu sucessor, tenta rever a distribuição do dinheiro dentro do grupo. Bap criticou os termos do vínculo ainda durante o seu processo eleitoral, no ano passado.

“Sabe quando que eu vou aceitar que eu receba no máximo eu receba três vezes e meio a mais de quem é pequeno? NUNCA, nunca”, afirmou o então candidato à presidência.

BAP em reunião no Conselho Deliberativo do Flamengo, em setembro deste ano. Foto: Mariana Sá/Flamengo

A discussão judicializada diz respeito ao desempenho de audiência, que é um dos critérios que define o valor a ser recebido por cada clube. O Flamengo questiona a regra que divide a parte do dinheiro referente à medição. A Libra, por outro lado, afirma que a ação da atual diretoria do Rubro-Negro desgasta a harmonia do grupo e afirmou estar surpresa com a atitude do clube, pois a discussão já havia sido aberta anteriormente em reuniões ao longo dos últimos meses. Em setembro, os demais clubes rejeitaram a proposta do Flamengo e aprovaram um novo critério para dividir o valor referente às audiências dos jogos.

A equipe carioca, em meio a essa crise institucional com a Libra e os outros clubes, resolveu emitiu uma nota oficial para justificar seu ponto e se posicionar para o público. Confira:

“Para tentar esclarecer a questão envolvendo Libra e Flamengo seguem abaixo Fatos e Fakes a respeito do assunto.

Em resumo:

O Flamengo entrou na Libra porque quis e porque acredita numa liga. O clube quer um acordo, não impõe nada a ninguém e nem pode aceitar imposição.

A questão gira em torno dos critérios para a divisão da verba de 30% das receitas de transmissão de TV.

A Libra botou em votação 6 cenários para a divisão. O Estatuto determina que a solução tem que ser por unanimidade. Flamengo e outros clubes votaram em cenários diferentes. Não houve consenso, o Flamengo entrou na Justiça porque a verba estava sendo paga segundo a divisão não aprovada por todos os clubes.

FATO OU FAKE?  

  • É falso que o Flamengo não queira participar de uma Liga. Se fosse o caso, não teria ingressado na Libra.
  • É falso que o Flamengo esteja buscando uma “virada de mesa”. O Clube respeita os contratos — basta consultar todas as atas de reuniões para comprovar.
  • É falso que o Flamengo negue ter assinado contrato e queira reverter suas condições, mudando a regra do jogo. A convocação da Assembleia Geral da Libra em maio de 2025 é clara: convoca para a votação e aprovação de cenários relativos à audiência na venda dos direitos de transmissão.
  • É falso que o Flamengo esteja pleiteando receber de volta R$ 100 milhões.  É falso que tenha sido acordada qualquer definição de percentuais de audiência. O Estatuto é omisso nesse ponto. Por isso, a assembleia geral da Libra teve que deliberar sobre a lacuna existente no estatuto. Não houve uma conclusão. O Flamengo votou contra a opinião dos demais clubes. Mesmo assim, a Globo pagou as parcelas, segundo o cenário proposto pela Libra, *o que é ilegal, pois fere a unanimidade do Estatuto.*

FATO

  • O Flamengo está cumprindo o Estatuto. Acontece que o Estatuto precisa ser complementado. Do Estatuto não constam os percentuais de audiência dentro dos 30% destinados a essa fatia na divisão dos direitos de transmissão — justamente o ponto que precisa ser regulamentado.  
  • O Flamengo sempre buscou diálogo. A Liga apresentou cinco opções de cenários e o Flamengo acrescentou mais uma. Após a assembleia de agosto, o Flamengo procurou três clubes para negociar. Nos encontros, o Flamengo reiterou a proposta de se ter um cenário alternativo para 2025 (cenário 4) e discutir um critério para os anos de 2026 a 2029. Nenhum clube aceitou discutir nada, mantendo postura irredutível.  
  • O Flamengo sempre esteve aberto a acordo, mas nem a Libra nem os clubes apresentaram qualquer contraproposta em qualquer momento, desde fevereiro de 2025.
    Não há qualquer documento que comprove a definição dos percentuais de audiência.
  • O Estatuto tem uma regra de transição que assegura, a todos os clubes, receber um valor mínimo garantido nos anos de 2025 a 2029, equivalente à quantia recebida em 2023 corrigido pelo IPCA. Se esta regra do Estatuto tivesse sido respeitada em 2025 o Flamengo receberia R$ R$ 321.181.432 nesse ano.  
  • Ao considerar como válida uma aprovação irregular (sem unanimidade) e distribuir recursos sem respaldo estatutário, (pagamentos feitos pela Globo) a Libra age de forma ilegal.”

Por Gabriel Caetano

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