Panorama

Mansões do tráfico: ostentação de criminosos contrasta com vida nas comunidades do Rio

Operações policiais expõem o luxo vivido por criminosos e a precariedade de locais sob domínio armado.

Foto: Divulgação

Enquanto moradores de favelas do Rio convivem com a escassez de serviços básicos, como saneamento adequado — acesso à água potável, coleta de esgoto e tratamento de lixo, e também serviços essenciais como educação e treinamento profissional, empregabilidade e infraestrutura urbana adequada — investigações policiais revelam a face luxuosa do tráfico de drogas na cidade. Mansões erguidas em áreas dominadas por facções ostentam piscinas com cascata, lagos artificiais com peixes importados, destilados de alto valor e áreas de lazer dignas de resorts particulares avaliadas em milhões de reais.

A mais recente descoberta foi a casa de Wallace de Brito Trindade, o Lacoste, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP) na comunidade da Serrinha, Zona Norte. Durante operação da Polícia Civil e Militar, nesta terça-feira, agentes encontraram no imóvel mais de dez garrafas de uísque Royal Salute, avaliadas em cerca de R$ 2 mil cada, além de outros rótulos importados. O espaço, com mais de mil metros quadrados, tinha piscina com cascata, área gourmet equipada com geladeiras e freezers e até baldes de gelo personalizados com a inscrição “Wallace jogador caro”.

— A casa tinha mais de mil metros quadrados, era bem grande. Muita bebida cara, área de lazer com piscina, churrasqueira e muito mármore na casa — contou o delegado Moyses Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-Cap).

O imóvel também revelava a lógica de sobrevivência dos criminosos: um portão com acesso direto à mata funcionava como rota de fuga em caso de operações. Apesar do aparato, Lacoste não estava em casa no momento da ação.

Mansão cearense na Rocinha

O luxo no tráfico, porém, não se restringe à Serrinha. Em maio deste ano, policiais desarticularam um reduto da facção cearense instalada na Rocinha, Zona Sul. A operação, realizada em conjunto com agentes do Ceará, revelou uma mansão com duas piscinas aquecidas, área gourmet abastecida de carnes e bebidas e pelo menos 70 fuzis na guarda armada.

De acordo com o Ministério Público, o imóvel era usado por integrantes do Comando Vermelho (CV) para comandar, à distância, a guerra do tráfico no Ceará, responsável por mais de mil homicídios nos últimos dois anos. A residência, atribuída a Anastácio Paiva Pereira, o Doze ou Paizão, também tinha academia equipada, deck panorâmico e espaço de lazer com sinuca e refrigeradores.

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