Panorama

Chefe do Povo de Israel condenado a 46 anos de prisão morre de câncer em hospital particular

Avelino Gonçalves Lima estava internado em um hospital no Grajaú, na Zona Norte do Rio

Foto: Reprodução

O chefe da facção Povo de Israel (PVI), Avelino Gonçalves Lima, de 54 anos, conhecido como Alvinho ou Vilão, morreu de câncer na última quinta-feira. Ele estava internado em um hospital particular, no Grajaú, na Zona Norte do Rio. Recentemente, a Justiça deu uma decisão favorável para que ele recebesse visitas de despedida, com remoção temporária das algemas. Lima foi condenado a 46 anos de prisão por homicídio, roubo e estupro. Ocupava o topo da facção, que é conhecida pela prática de extorsões de dentro da cadeia, como o golpe do falso sequestro.

Alvinho foi preso pela primeira vez em 19 de julho de 1999. Em 2007, obteve decisão favorável para Visita Periódica Familiar (VPF) e não regressou, sendo recapturado dois anos depois. Com nove anotações criminais, ele respondia também a 13 processos disciplinares.

Em junho de 2023, foi transferido para o sistema penitenciário federal, mas retornou ao Rio em agosto, indo para a Cadeia Pública José Antônio de Costa Barros, em Gericinó. Ele também era acusado de ser o mandante de uma rebelião em 2018, que resultou na morte de um detento, em represália à sua transferência.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) também suspeitava do envolvimento dele nas mortes de dois presos encontrados enforcados em 2022. Relatos indicam que Alvinho teria ordenado os assassinatos após descobrir que os internos planejavam sequestrar a filha de uma liderança do Povo de Israel.

Povo de Israel

Além do falso sequestro, o grupo também é conhecido por fazer ameaças a comerciantes e moradores em áreas dominadas por outras facções. As vítimas são forçadas a transferir dinheiro para contas de terceiros, que repassam os valores conforme ordens da chefia do grupo.

Investigações da Polícia Civil, em 2024, mostraram que esse grupo movimentou cerca de R$ 67 milhões — em dois anos — com golpes por telefone. As operações financeiras foram detalhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em um inquérito da Delegacia Antissequestro (DAS), aberto após uma pessoa do Rio Grande do Sul ter sido vítima da organização criminosa.

Compartilhar :

Facebook
Twitter