Belford Roxo, na Baixada Fluminense, terá terceiro pórtico em 30 anos

Cidade com mais de 483 mil habitantes, segundo o IBGE, Belford Roxo, na Baixada Fluminense, terá pela terceira vez, em 30 anos, um novo pórtico na entrada do município. A nova estrutura, que tem previsão de ser inaugurada no próximo dia 30, vai custar cerca de R$ 108 mil, segundo um extrato de contrato publicado no Diário Oficial municipal. A construção substituirá um monumento do mesmo tipo, erguido, em 2017, pelo então prefeito Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, que custou aos cofres públicos cerca de R$ 200 mil.
Waguinho trocou as cores do município, adotando o laranja no lugar do azul, e usou máquinas pesadas para derrubar o primeiro pórtico. Feito em pedras, e em formato de coração, ele havia sido construído em 1995, durante a gestão do prefeito Jorge Júlio da Costa Santos, o Joca, que costumava se referir a Belford Roxo como “a cidade do amor” — primeiro chefe do executivo no município, eleito em 1992, ele foi assassinado a tiros durante uma tentativa de assalto, na Zona Sul do Rio, em 20 de junho de 1995.

Em nota, a prefeitura informou que após uma inspeção no pórtico da entrada da cidade, “foi observado que a estrutura metálica está sofrendo de corrosão causada pela ação do tempo, gerando insegurança para a população”. Diante das situações encontradas, “se fez necessária uma adaptação e a adequação da estrutura existente com a implantação de uma nova estrutura complementar do outro lado da via, com as mesma características, para diminuir os esforços atuantes de ventos, garantindo a melhor estabilidade”.
A prefeitura disse ainda que o azul e branco “sempre foram as cores tradicionais do município desde a emancipação”. Porém, “em uma atitude tresloucada, o então prefeito, que assumiu em 2017, trocou para cor de abóbora e branco. O prefeito Márcio Canella, em janeiro de 2025, restituiu a ordem com as cores originais”. O monumento fica na Avenida Dr. Carvalhães, principal acesso ao município, para quem sai da Rodovia Presidente Dutra em direção à cidade.
Pior índice socioeconômico

Belford Roxo foi emancipado de Nova Iguaçu em 1990, após um plebiscito. De acordo com o IBGE, a cidade ocupa o 15º lugar, num total de 92 municípios no estado, em residências ligadas ao esgotamento sanitário. Já uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro(Firjan) aponta o município com o pior índice socioeconômico entre os 92. O estudo, divulgado em maio, leva em conta dados sobre geração de empregos, educação e saúde, que foram avaliados em 2023.
Além de problemas estruturais, como a ausência de um hospital para emergências de grande complexidades, Belford Roxo não conta com muitas opções de lazer. Não há teatros, cinemas ou um grande shopping na cidade. A notícia de que o pórtico seria substituído pela terceira vez causou alvoroço nas redes sociais. “Belford Roxo não deve ter nenhum problema para solucionar, pelo jeito. Vão gastar dinheiro de novo com isso aí”, escreveu uma pessoa numa das postagens em uma rede social. ” Isso de(trocar) a cor da cidade deveria ser proibido, a cada troca de prefeito, uma gestação de dinheiro”, escreveu outro morador.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Belford Roxo



